31 de janeiro de 2011

Um exílio pelo avesso.

Contemplo um falso boêmio, pequeno burguês.
Extenso e profundo poço de regalias, todas feitas ao teu gosto.
Desejos, satisfeitos.
Amores, comprados.
Felicidade, corrompida.
Afinal, a pinga lhe dissolve as dores, ilusória satisfação.
Só não gaste teu dinheiro todo, porque mesmo pra um burguês a pinga não é de graça.

26 de janeiro de 2011

Tenho hortelã, tenho um cesto de flores.

Ontem não consegui dormir.
Motivo? Bom, insônia, claro. Mas, dessa vez, a insônia tinha uma razão. Fiquei tentando buscar tua voz nos meus registros de memória,- memória ruim, que não ajuda muito - e por fim, depois de vasculhar bastante, um tempo que me pareceu eterno, nada achei.

25 de janeiro de 2011

" And when I go away,

Ele a via como uma amiga, mas naquele momento, enquanto ela demonstrava aquela inocente fragilidade, ele a sentiu mais que isso, era mais úmido, mais gelado, mais carnal. Um sentimento que nem o próprio, sempre com a razão dos sentimentos, soube explicar. Era a vontade de a ajudar, aquela criatura parada diante dele, com a fronte molhada e os olhos marejados, era ela que despertava o sentimento mais profundo e sincero dele. Era a amizade que aflorava. Era somente ele e ela, e o mundo fora esquecido, mesmo que por breves instantes enquanto naqueles tão belos olhos sua visão permaneceu.

I know my heart can stay with my love." Paul McCartney - My Love

17 de janeiro de 2011

Mi dispiace devo andare via.

Namoro é um acordo comercial -ouvi de um amigo, e na hora realmente não concordei, mas agora, faz um baita sentido- todos fazem parecer romântico e não sei o que, -claro, você cresce, cria certa maturidade, lida com o modo de outra pessoa e acaba adquirindo certa paciência. Mas, no final de nada serve, você acaba assim, juntando seus pedaços, fria, confusa, pedindo mais uma dose e fazendo pose blasé.
Os pedaços já não se encaixam, e é assim, feito limão.

13 de janeiro de 2011

Goodbye pain.

Prometi a mim mesma que se não me chamasses, partiria. Parti.
Parti meus sentimentos, e bom, esses não se reconstroem.

11 de janeiro de 2011

10 de janeiro de 2011

Se com quatorze passos eu chegar ao passeio, me livro dessa idéia de vez. - Prometi a mim mesma.
Cheguei com os quatorze, mas o último fora maior que os outros.
Haha, sabichona. - Pensei.
Não, não, não dessa vez. Cheguei com quatorze e meio, prometi quatorze exatos.
Bom, tanto faz, a sorveteria continua lá.

6 de janeiro de 2011

Verifiquei se eram todos desconhecidos,
entrei,
sentei-me.
Dessa vez, sem a pressa desajeitada costumeira.

- Uma dose, por favor.
- Claro, senhorita.
- Melhor, trás logo toda a garrafa.

5 de janeiro de 2011

Vivendo num planeta perdido como nós.

Vejo-te tentando manusear,
tuas curtas e severas verdades.
Vejo-te tentando enganar a ti mesmo,
através de inocentes e translúcidas mentiras.
Vejo-te iludindo a ti mesmo,
com promessas que certamente não serão cumpridas.
Vejo-te assim, liso, limpo.
Espero-te com a visão embaçada, e os ouvidos cansados de uma
voz que não chega.
Imaginas que poderás viver a vida inteira entre parênteses?
Vejo tudo isso, só não vejo a ti mesmo.

O término do que não começou.

Com um olhar um pouco mais duro e míope do que era necessário, dei-te as costas e parti, como jamais havia sonhado antes, com uma coragem que me falta no real.

4 de janeiro de 2011

De boa vontade afastar-me-ia de mim própria, tenho necessidade de esquecer-me um pouco.

Boba, sorrindo feito japoninha.

Então, será real.
Cores, densas e verdadeiras.
Gostos e cheiros mais perto do que jamais pensei.
Formas que me enchiam os olhos, agora palpáveis e reais.
E no mesmo momento,
confusão nos sentimentos e sentidos.
Será que ao perder o gosto de sonhar o sabor será o mesmo?

3 de janeiro de 2011

Apego-me a textos,
alguns, na grande maioria, os quais já decorei.
Apego-me a sorrisos,
alguns até desconhecidos aos meus próprios olhos.
Apego-me a gestos,
melhor, apego-me as intenções de tais, isso conta bastante.
Apego-me a palavras,
frases mal ditas,
versos mal feitos,
sentimentos omitidos.
Rendo-me, entrego-me,
apegando-me assim as minhas pequenas epifanias.
Mas, por fim, simplesmente... apego-me.

20:03 e ainda espero.

Hoje me bateu uma saudade de escutar tua voz. Uma vontade de voltar aos velhos tempos. Ler tuas palavras perfeitas e quem sabe até teus olhos poder ver. E essa vontade me move, ainda. Por mais que eu não queira. E eu me deixo levar, pelo doce dos teus olhos. Eu olharia em teus olhos e também te amaria.