17 de abril de 2011

Só um bilhetinho azul

Esquecia-me a sensação de
borboletas no estomago,
de pensamentos vagando em um sorriso conhecido, em olhos os quais buscam os meus.
Olvidava-me o que é sentir vergonha,
vergonha de olhos tão pequenos e insinuantes que me encaram,
de dedinhos que insistem em apertar meu nariz
e mãos que anseiam por tocar minha face, corada do sol.
Não recordava o que é sentir,  assim, de verdade.
Sentir frio gostoso, com sabor de sorvete de limão.
Era passado olhar a chuva e devanear com chocolate quente enquanto os pensamentos vagavam.
Ai, ai, tinha me esquecido como é entregar o coração pra alguém e ir descobrindo assim, sem pressa, com incertezas, conhecendo os pequenos detalhes do outro.
E me lembrei, com você, que bom...

16 de abril de 2011

- O que é que estas a dizer? Indaguei-a com ódio frio.
- Ele não a ama, ele mesmo me disse.
- Mas, mas...mas...ele não me enganaria, eu sei, o olhar dele foi sincero quando me relatou sobre o modo dela o instigar, seus olhinhos brilharam, daquela forma que só reluz se há um amor.
- Ele finge bem.
- Como você sabe?
- Sabendo, oras.
- Pois bem, não acredito em ti.
- Mas, é verdade, não minto.
- Que seja, prefiro olhares a palavras.

14 de abril de 2011

9 de abril de 2011

O autocarro enorme e infantil transportava-o, fazia-o virar à direita e à esquerda, sacudia-o, maltratava-o; os acontecimentos batiam de encontro aos vidros, ao banco, era embalado pela rapidez da sua vida. Pensava: "A minha vida já não me pertence, a minha vida é apenas um destino."

A idade da razão - Sartre

7 de abril de 2011

Sonhar com teus olhos é como ter o peso do imaginário batalhando para se concretizar.